Arado
Abrir a terra para a semente
Prancha
- 1Canga
- 2Timão
- 3Rabiças
- 4Sega
- 5Relha
- 6Aiveca
Anatomia
A carregar a figura…
O arado é puxado através da terra para cortar e soltar o solo antes da sementeira. Os primeiros arados simples apenas riscavam um sulco; o arado de aiveca, que revira a terra, abriu ao cultivo os solos pesados e húmidos do norte da Europa.
O que é
Arado todo de madeira.
O arado é uma lâmina arrastada pela terra por pessoas, animais ou um motor. Parte a camada superficial do solo, enterra as ervas daninhas e os restos da última colheita e solta a terra para a grade depois desfazer os torrões e preparar a sementeira. Com um arado e uma junta de bois, uma família cultivava muito mais terra do que com uma enxada ou um pau de cavar.
O arado simples, ou de raspar, tem uma relha pontiaguda que se arrasta pelo solo e abre um rego pouco fundo sem revirar a terra. O arado de aiveca corta uma fatia de terra e vira-a ao contrário. A prancha mostra os dois: à esquerda, bois a puxar um arado simples; à direita, as peças de um arado de aiveca.
Como funciona
O arado simples é uma cunha. A relha avança num ângulo baixo, poucos centímetros abaixo da superfície, e empurra a terra para cima e para os lados. Solta o solo sem o inverter, o que convém aos terrenos leves e secos, onde é preciso guardar a humidade. Muitas vezes lavrava-se o campo duas vezes, a segunda em cruz com a primeira, e por isso estes campos tendiam a ser quadrados.
As leivas viradas encostam-se umas às outras, com a erva para baixo.
No arado de aiveca, três peças trabalham em sequência. A sega, uma faca vertical presa ao timão, corta o solo à frente. A relha, uma lâmina plana junto ao fundo, solta a fatia por baixo. A aiveca, uma tábua curva atrás da relha, levanta a fatia, torce-a e deita-a ao contrário contra a anterior. Ervas e restolho ficam enterrados e a terra de baixo exposta ao ar e à geada.
Uma aiveca fixa lança sempre a terra para o mesmo lado. Os lavradores medievais trabalhavam cada faixa comprida à volta da sua linha central, de modo que cada passagem virava a terra para o meio e a faixa ia subindo até formar um camalhão, o que ajudava a drenar o barro húmido.
Um arado simples e leve precisa de um ou dois animais. Os arados pesados medievais, em terreno argiloso, podiam exigir até oito bois. Hoje um trator puxa vários corpos lado a lado, cada um a virar uma fatia de 20 a 30 centímetros de fundo.
Como construir
Um arado de garganta simples faz-se só de madeira, com machado, faca e trado. Os passos abaixo são um esboço, sem desenhos cotados.
Encontrar a madeira. Procure um ramo de freixo, carvalho ou outra madeira dura, com uma curva natural onde um galho grosso encontra outro mais fino. O braço comprido será o timão; o curto, cortado com cerca de 40 centímetros, será a relha e a sola. Uma peça curva crescida inteira é muito mais forte do que uma junta.
Talhar a relha. Desbaste o braço curto até uma ponta romba, plana por baixo. Deve tocar o chão a cerca de 30 graus com o timão erguido à altura da canga. A madeira nua gasta-se depressa, por isso talhe uma ponta de reserva; uma ponteira de ferro dura muito mais.
Pôr a rabiça. Fure o timão logo acima da relha e encaixe uma rabiça vertical, apertada com cunhas, para o lavrador guiar e carregar para baixo.
Fazer a canga. A canga de pescoço é uma trave talhada para assentar à frente da cernelha, com arcos de madeira ou correias a envolver cada pescoço. Ate a ponta do timão ao meio da canga com corda ou cavilha de madeira.
Lavrar. Use apenas bois já habituados à canga, com um boieiro experiente à frente deles. Comece com passagens curtas em terra húmida, sem estar encharcada, e carregue na rabiça para manter a relha enterrada.
Segurança. Os bois são fortes e podem assustar-se. Nunca se ponha entre um animal e o arado, use no engate um nó de desengate rápido e dê descanso e água à junta. Pare logo se a canga roçar: uma canga mal ajustada causa feridas e lesões. Mantenha os pés longe da relha.
História e evolução
O arado simples surgiu depois de o gado ser domesticado para puxar, embora ninguém saiba exatamente quando. As marcas de arado mais antigas conhecidas, riscos selados sob lodo de rio em Sion, na Suíça, datam de 5100 a 4700 a.C.; outras mais recentes, no norte de Itália, na Dinamarca e em Praga-Bubeneč, datam de cerca de 4300 a 3500 a.C. No Próximo Oriente, onde o arado pode ser ainda mais antigo, não se conservaram marcas. Impressões de selos e textos da Mesopotâmia mostram arados no III milénio a.C., alguns com um funil que deixava cair a semente no rego. Um campo lavrado em Kalibangan, no noroeste da Índia, data de cerca de 2800 a.C.
Por volta de 1000 a.C., os arados do Próximo Oriente ganharam uma relha amovível e substituível, e na China usavam-se relhas de ferro por volta de 500 a.C. Sob a dinastia Han, nos séculos I e II d.C., as oficinas chinesas fundiam aivecas curvas de ferro que reviravam bem a leiva e dispensavam juntas grandes.
Na Europa, achados da Britânia romana tardia sugerem arados capazes de virar a terra, embora a sua forma exata seja discutida. O arado pesado com sega e aiveca espalhou-se pelas planícies argilosas do norte a partir do século VII, muitas vezes sobre rodas e puxado por grandes juntas de bois. Com ele cultivou-se mais terra e nasceram os campos em faixas compridas da aldeia medieval.
Arado de aço autolimpante: a terra pegajosa da pradaria escorrega pelo metal polido.
No século XVIII, os fabricantes ingleses construíram arados mais leves. O arado de Rotherham, patenteado em Inglaterra em 1730 por Joseph Foljambe, tinha armação triangular e ferro na aiveca, e dois cavalos bastavam para o puxar. No Meio-Oeste americano, a terra pegajosa da pradaria agarrava-se ao ferro fundido. John Lane em 1833 e John Deere em 1837 fizeram arados com lâminas lisas de aço que se limpavam sozinhas ao cortar.
Desde a década de 1850, máquinas a vapor puxavam arados por cabos, e no século XX os tratores substituíram-nas. O solo nu e revirado é levado pelo vento na seca e arrastado pela chuva, como mostrou o Dust Bowl americano nos anos 1930. Muitos agricultores lavram hoje menos, ou nada, e semeiam diretamente sobre o restolho.