Vela

Apanhar o vento para avançar

Data
c. 3.200 a.C.
Época
Pré-história
Etapa
II Fixação
Dificuldade

Prancha

Legenda
  1. 1Mastro
  2. 2Verga
  3. 3Vela redonda
  4. 4Escota
  5. 5Remo de governo
  6. 6Vela latina

Anatomia

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Uma vela é um pano de tecido ou de esteira içado num mastro para captar o vento e mover um barco. Bem orientada, empurra o barco com o vento pela popa ou de través e, bordejando em ziguezague, até na direção de onde o vento sopra.

O que é

Uma vela é uma superfície estendida ao vento para impelir uma embarcação. As primeiras eram provavelmente esteiras ou peles erguidas numa vara. Depois vieram velas tecidas em linho, lã ou algodão, e hoje sobretudo em fibras sintéticas. Presa a um mastro e regulada com cabos, uma vela move um barco sem combustível nem remadores.

A prancha mostra velas redondas e velas longitudinais. A vela redonda, também chamada quadrada, pende de uma vara horizontal atravessada no barco, a verga, e rende mais com o vento pela popa. Uma vela longitudinal fica ao comprido do barco. A vela latina é um triângulo suspenso de uma verga longa e inclinada e funciona bem com vento de través.

Como funciona

Com o vento pela popa, o princípio é simples: o ar empurra a vela como empurraria uma mão aberta. Neste rumo, um barco não pode ir mais depressa do que o vento, porque quanto mais rápido vai, mais fraco é o vento que sente.

Com o vento de lado, a vela funciona como uma asa. Curva e posta num pequeno ângulo ao vento, desvia o escoamento do ar, e o ar empurra a vela de volta, sobretudo para o lado e em parte para a frente. O casco, e a quilha se a houver, resistem a deslizar para o lado porque a água os empurra de volta, e sobra um impulso para a frente. Por isso um barco pode navegar mais depressa com vento de través do que com vento em popa.

Nenhuma vela leva um barco diretamente contra o vento. Um veleiro moderno navega a cerca de 40 a 45 graus do vento. Para chegar a um ponto a barlavento, avança em ziguezague e cruza a direção do vento a cada viragem. Na linguagem dos marinheiros, isto é bordejar.

A tripulação regula a vela com cabos. A escota (4) caça ou folga um dos cantos inferiores da vela para acertar o ângulo em relação ao vento. A adriça iça a verga (2) ao longo do mastro (1). Num navio de pano redondo, os braços fazem rodar a verga. Com vento forte, a tripulação riza, isto é, reduz a área de pano. O remo de governo (5), e mais tarde o leme, mantém o rumo.

Como se constrói

Este esboço descreve a confeção de uma pequena vela redonda. Não é um desenho cotado nem um projeto para acrescentar uma vela a qualquer barco. Usar um aparelho concebido para a embarcação em causa e verificado por um construtor naval qualificado ou um instrutor de vela quanto ao equilíbrio entre casco, vela e governo, à estabilidade e à resistência das fixações.

Ferramentas para costurar velas sobre o canto de uma vela: repuxo, passador, agulha e fio O repuxo permite à mão empurrar uma agulha grossa através de várias camadas de pano.

Reunir os materiais. Usar a lona, a linha, a tralha, a verga e as ferragens indicadas no plano verificado. São também necessários uma agulha de vela e um repuxo. O apoio do mastro e as suas fixações devem seguir esse plano.

Cortar e unir os panos. Estender as tiras de lona lado a lado. Fazer as sobreposições e os pontos de costura indicados no plano para os esforços previstos.

Embainhar e reforçar as orlas. Dobrar e coser as bainhas conforme o plano e depois coser a tralha. O pano e as costuras transmitem os esforços do vento; o cabo reforça as orlas. Reforçar os cantos e colocar as argolas ou os ilhós previstos.

Aparelhar. Seguir o plano verificado para prender a vela à verga e montar a adriça e as escotas. Verificar se a verga pode ser arriada e se os cabos correm livremente.

Praticar antes de navegar. Pedir a um instrutor que demonstre como arriar a vela e reduzir a sua força com este aparelho, e praticar sob a sua orientação antes de sair. Largar apenas as escotas pode deixar uma vela redonda a receber vento. Fazer a primeira prova em águas abrigadas, com vento fraco e um instrutor a bordo.

Segurança. Uma rajada pode virar um barco pequeno em segundos. Usar colete salva-vidas, consultar a meteorologia e velejar primeiro com vento fraco, perto da costa, com alguém de vigia. Nunca prender a escota de maneira que não possa ser largada depressa. Uma verga ou uma retranca que balança pode bater na cabeça, e a água fria esgota depressa quem nada.

História e evolução

Os barcos são muito mais antigos do que as velas: muito antes de usar o vento, as pessoas moviam-nos à pagaia, à vara e a remos. Não se sabe quando surgiu a vela, porque tecidos e esteiras raramente se conservam. No Kuwait, restos de barcos de mar feitos de caniço e revestidos de betume datam de entre 5500 e 5000 a.C. Robert Carter estuda-os como testemunhos de trocas marítimas antigas; os restos dos barcos, por si só, não provam o uso de velas.

Uma canoa com balanceiro e uma vela em garra de caranguejo de esteira entrançada A vela em garra de caranguejo, presa entre duas varas, levou as canoas austronésias através do Pacífico.

Há representações possíveis no Egito por volta de 3200 a.C. Um jarro pintado do período Nagada II, no Museu Britânico, mostra um barco com um objeto numa vara. R. L. Bowen interpretou-o como uma vela; a outra leitura é um estandarte. A data do catálogo, cerca de 3200 a.C., refere-se a este possível indício e não a uma data conhecida da invenção. No Nilo, a corrente levava os barcos para norte e o vento podia empurrá-los de volta para sul.

As velas redondas eram usadas nos navios egípcios, fenícios, gregos e romanos, e mais tarde nos barcos vikings, cujas velas eram muitas vezes tecidas em lã. No Pacífico e no Índico, os navegadores austronésios desenvolveram os seus próprios aparelhos. As palavras para «vela» nas suas línguas remontam a cerca de cinco mil anos, e a vela em garra de caranguejo levou as suas canoas com balanceiro por milhares de quilómetros de mar aberto.

Um junco chinês de três mastros com velas enrijecidas por réguas de bambu As réguas de bambu mantêm a vela do junco plana e rígida.

A vela latina aparece no Mediterrâneo já no século II d.C. e torna-se comum a partir do século V. Era mais barata de fazer e manter do que a vela redonda, embora não fosse claramente mais rápida. As antigas imagens de navios chineses mostram velas redondas. A China pode ter adotado a vela do junco, reforçada com réguas de bambu, por volta do século XII; isto não demonstra uma substituição geral das velas redondas.

A partir do século XV, os construtores navais europeus usaram aparelhos mistos de velas redondas e latinas nas carracas e em algumas caravelas. Estas tradições contribuíram para os aparelhos dos veleiros oceânicos posteriores. O vapor tomou conta da navegação comercial nos séculos XIX e XX. As velas sobrevivem em iates e barcos de regata, hoje cortadas em tecidos sintéticos.


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