Tijolos

Blocos de terra normalizados

Data
c. 7.500 a.C.
Época
Pré-história
Etapa
II Fixação
Dificuldade

Prancha

Legenda
  1. 1Barro preparado
  2. 2Molde de madeira
  3. 3Tijolos crus a secar
  4. 4Túnel de fogo
  5. 5Tijolos enfornados

Anatomia

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Um tijolo é um bloco de barro com um tamanho fixo, seco ao sol ou cozido num forno, para levantar paredes com peças iguais e fáceis de manusear. Os tijolos de barro moldados já existiam no Próximo Oriente antes de 7500 a.C.; o tijolo cozido chegou milénios depois e acabou por sustentar cidades, aquedutos e chaminés de fábrica.

O que é

Um tijolo é um pequeno bloco de terra com forma e tamanho regulares. O adobe é apenas seco ao sol; o tijolo cozido vai ao forno até o barro se transformar numa cerâmica dura. Ambos se assentam em fiadas com argamassa, e como todas as peças têm o mesmo tamanho, o construtor pode calcular as quantidades com antecedência e manter as fiadas niveladas.

A prancha mostra o trabalho de uma olaria artesanal anterior às máquinas: o barro preparado junto à mesa de moldar, os tijolos crus a secar em filas e um pequeno forno de tiragem vertical visto em corte.

Como funciona

A argila é feita de minúsculos grãos minerais achatados. Molhados, deslizam uns sobre os outros e a massa deixa-se moldar; ao secar, a água entre eles sai, os grãos aproximam-se e o bloco endurece e encolhe. A argila pura encolhe tanto que racha, por isso os oleiros juntam-lhe areia, cerâmica moída ou palha picada. Na antiga Mesopotâmia usava-se sobretudo palha ou estrume, e uma estimativa aponta para cerca de 60 kg de palha por cem tijolos.

Um molde de madeira para tijolos ao lado de um adobe acabado de desmoldar, com palha picada Um molde sem fundo, areado por dentro, dá a cada tijolo o mesmo tamanho.

Um adobe continua mole o suficiente para voltar a ser lama se ficar encharcado, e as paredes de terra precisam de um embasamento de pedra, de um beiral largo e de manutenção regular. A cozedura transforma a própria argila. Os minerais perdem primeiro a água ligada na sua estrutura e, perto dos 900 a 1000 °C, os grãos começam a soldar-se. O tijolo cozido já não amolece na água, e a sua cor, quase sempre vermelha, vem do ferro contido na argila.

Num forno de tiragem vertical como o do desenho, o fogo arde em túneis na base. Os gases quentes sobem por uma grelha vazada e pelos espaços deixados entre os tijolos crus, dispostos em grelha, e saem por cima. A cozedura tem de começar devagar: a água ainda presa no barro transforma-se em vapor, e um tijolo aquecido depressa demais pode rachar ou rebentar.

Como fazer

Para fazer adobes basta terra adequada, água, palha, um molde e algumas semanas secas.

Testar a terra. Cave abaixo da camada superficial, cheia de raízes e húmus. Faça alguns adobes de ensaio: se racharem ao secar, a terra tem argila a mais e precisa de areia; se as arestas se desfizerem, precisa de mais argila.

Misturar e amassar. Desfaça a terra, molhe-a e pise-a com palha picada até obter uma pasta firme e sem grumos. Um balde de palha solta para cinco de terra é um primeiro ensaio razoável; ajuste depois conforme os adobes de ensaio, porque algumas boas terras precisam de pouca ou nenhuma palha. Deixe a mistura repousar coberta durante um dia para a água se distribuir.

Fazer o molde. Junte quatro tábuas num caixilho sem fundo, por exemplo com 30 × 15 × 10 cm por dentro, com pegas nas pontas. Molhe-o e polvilhe-o com areia para o barro se soltar.

Moldar. Pouse o molde num chão plano e areado, atire lá para dentro uma pelota de barro com força para encher os cantos, rase o topo com uma régua molhada e levante o molde bem a direito. Ponha o adobe seguinte a um dedo de distância.

Secar. Proteja os adobes do sol forte e da chuva nos primeiros dias e depois ponha-os de cutelo para o ar chegar a todas as faces. Conforme o tempo, precisam de uma a quatro semanas até poderem ser empilhados; parta um adobe de ensaio para confirmar que não resta um núcleo mais escuro e húmido. Para ter tijolos cozidos, leve algumas pequenas amostras bem secas a uma oficina de cerâmica e peça para as cozerem no forno.

Segurança. Um adobe fresco pesa vários quilos: levante-o com os joelhos dobrados e faça pilhas baixas e estáveis. O pó de argila seca contém sílica fina: humedeça a terra antes de a desfazer, limpe com água em vez de varrer e use uma máscara FFP2 ou FFP3 bem ajustada sempre que o pó for inevitável. Vede ou volte a encher qualquer buraco que cave, porque nele se acumula água. A cozedura em forno envolve calor intenso e fumos; deixe-a a alguém com formação e nunca coza tijolos ainda húmidos.

História e evolução

No Próximo Oriente já se erguiam paredes de terra seca ao sol no IX milénio a.C., e entre os tijolos moldados mais antigos estão os de Tell Aswad, na Síria, anteriores a 7500 a.C. Em Nemrik, no norte do Iraque, há muros do VIII milénio feitos de tijolos compridos em forma de charuto, com cerca de 51 cm. Os tijolos de Jericó, dos milénios VIII e VII a.C., eram moldados à mão e marcados com filas de dedadas que ajudavam a argamassa a agarrar.

Um tijolo de barro em forma de pão, do Neolítico de Jericó, com duas filas de dedadas em espinha Tijolo moldado à mão em Jericó: as dedadas davam agarre à argamassa.

Os tijolos feitos em moldes retangulares de madeira espalham-se pela Mesopotâmia no VI milénio a.C. O tijolo cozido chega mais tarde e fica de início reservado a usos especiais, porque o combustível é escasso: na Mesopotâmia aparece no período de Uruk, no IV milénio a.C., embora alguns autores datem os primeiros de antes, e na China fabrica-se em Chengtoushan por volta de 4400 a.C. Um texto sumério de cerca de 2100 a.C. descreve Gudea, soberano de Lagash, a deitar o barro no molde e a tirar o primeiro tijolo de um novo templo. As cidades do vale do Indo constroem desde o III milénio a.C. com tijolos cozidos de tamanho regular; muitos aproximam-se da proporção 1:2:4 entre espessura, largura e comprimento, embora os escavadores tenham registado vários formatos.

Um arco de volta perfeita em tijolo sobre uma porta, cada tijolo posto ao alto com as juntas viradas para o centro Num arco, cada tijolo fica posto ao alto, com a junta virada para o centro, e a carga passa de tijolo em tijolo.

Roma produz tijolos cozidos normalizados em grande quantidade a partir do século I d.C., e depois de uma longa pausa o norte da Europa volta ao tijolo na Idade Média, onde falta boa pedra de construção.

O fabrico industrial começa no século XIX com máquinas que prensam o barro em moldes. Em 1858 Friedrich Hoffmann patenteia um forno anular que nunca tem de arrefecer: o fogo passa de uma câmara para a seguinte, enquanto os gases quentes secam e aquecem os tijolos que o esperam. No forno de Palmerston North, na Nova Zelândia, o fogo levava cerca de seis semanas a percorrer as suas catorze câmaras. O tijolo britânico métrico normalizado mede 215 × 102,5 × 65 mm.


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