Esgotos e saneamento

Afastar os dejetos da água

Data
c. 2.500 a.C.
Época
Antiguidade
Etapa
III Ofícios e cidades
Dificuldade
Legenda
  1. 1Tubo de ventilação
  2. 2Sifão com fecho hídrico
  3. 3Ramal com inclinação
  4. 4Caixa de visita
  5. 5Coletor ovoide de tijolo
  6. 6Tanque de decantação
  7. 7Leito percolador

O saneamento mantém os excrementos humanos longe da água de beber, dos alimentos e das mãos, com uma latrina onde as casas estão dispersas ou uma rede de esgotos onde se apertam. O esgoto leva as águas residuais pela encosta abaixo até uma estação de tratamento, onde os sólidos assentam e os micróbios decompõem a sujidade que resta antes de a água voltar ao rio.

O que é

O saneamento afasta os excrementos humanos da água de beber, dos alimentos e das mãos. Onde as casas estão dispersas, uma latrina bem situada pode bastar. Onde se apertam, são em geral os esgotos que levam as águas residuais por gravidade até uma estação que as trata antes de voltarem a um rio.

A estampa segue uma descarga de autoclismo numa cidade do fim do século XIX: da casa ao coletor de tijolo sob a rua e daí à estação de tratamento, onde os sólidos assentam e um leito de pedras continua a limpar a água.

As fezes transportam os germes da cólera, da febre tifoide e da disenteria, que ainda matam centenas de milhares de pessoas por ano. A forma como John Snow ligou a cólera aos esgotos na água de Londres é contada nas estampas da água potável e da higiene e antissepsia.

Como funciona

A inclinação. Cada tubo é assente com uma inclinação constante. Se for demasiado fraca, os sólidos depositam-se até o entupirem. Em Inglaterra, um ramal pequeno desce 1 para 40; um tubo de 100 mm pode descer 1 para 80 se servir uma sanita, cujas descargas o limpam, e levar mais de 1 litro por segundo em ponta. Em terreno plano, o coletor fica cada vez mais fundo, até uma estação elevatória levantar o caudal para que possa voltar a descer.

Corte de um sifão em U que retém água na curva, com a entrada à esquerda e a saída à direita A água que fica na curva deixa passar as águas residuais e trava os gases do esgoto.

Sifão e ventilação. Cada lava-loiça e cada sanita escoa por um sifão, uma curva que guarda sempre um tampão de água. Em Inglaterra, o sifão de uma sanita retém pelo menos 50 mm de água. O tubo de queda sobe aberto pelo telhado: deixa entrar ar e solta os gases acima das janelas. Sem ele, a água que desce pelo tubo podia esvaziar os sifões por sucção.

Os coletores. O ramal liga ao coletor público. Muitos grandes esgotos do século XIX foram feitos de tijolo com secção ovoide, a ponta para baixo: um caudal pequeno mantém-se fundo e rápido no fundo estreito e arrasta a areia, e a parte de cima, mais larga, recebe a água das trovoadas. Caixas de visita com degraus de ferro permitem descer para os limpar.

Unitário ou separativo. Uma rede unitária leva águas residuais e pluviais no mesmo tubo. É mais barata, mas transborda para os rios com chuvas fortes. Uma rede separativa manda as águas residuais para a estação de tratamento e a chuva diretamente para a ribeira.

O tratamento. Grades retêm os trapos, a areia deposita-se num canal lento e depois as águas residuais atravessam os tanques de decantação, onde os sólidos caem ao fundo como lamas. A seguir, as bactérias alimentam-se da sujidade fina e dissolvida que resta. Num leito percolador, o líquido é aspergido sobre pedras cobertas de micróbios, que recebem ar pelos interstícios. Nas lamas ativadas, sopra-se ar num tanque de águas residuais. Em ambos os casos, um último decantador retém os flocos de micróbios; nas lamas ativadas, parte deles volta ao tanque arejado.

Como construir

Trata-se aqui apenas de uma latrina familiar, construída com um pedreiro ou um programa de saneamento local que conheça o solo e use um modelo de laje testado. Esgotos, fossas sépticas e estações de tratamento são projetados por engenheiros e aprovados pela autoridade pública.

Escolher o local. Abaixo de qualquer poço, nascente ou ribeiro, a 30 m pelo menos. As regras nacionais vão de cerca de 15 a 50 m: confirmar a regra local e afastar mais em areia, cascalho ou rocha fissurada. O fundo da fossa deve ficar pelo menos 2 m acima do nível freático mais alto, na estação das chuvas. Em rocha ou com o nível freático alto, pedir outro modelo ao serviço de saúde.

Corte de uma latrina ventilada: fossa revestida de tijolo em cima, laje de betão, cabine fechada e tubo de ventilação com rede Numa latrina VIP, a cabine escura e o tubo com rede travam moscas e cheiros.

Escavar e revestir. A fossa de uma latrina melhorada com ventilação (VIP) tem em geral 1 a 1,5 m de largura e pelo menos 3 m de fundo. Quem constrói escora as paredes à medida que a fossa se aprofunda. Revestir pelo menos o primeiro metro com tijolo e argamassa para que a borda não ceda; em solo solto, toda a altura, com juntas abertas na parte de baixo.

Assentar a laje. Uma laje de betão armado mais larga do que a fossa apoia-se em terreno firme, com um buraco para a sanita turca e outro para o tubo. Assentá-la um pouco acima do solo e inclinar a terra em volta para a chuva não entrar.

Montar a ventilação. Um tubo direito sobe da fossa ao lado da cabine: pelo menos 150 mm de diâmetro interior se for liso, 200 a 250 mm se for rugoso, e o topo ultrapassa em pelo menos 0,5 m o telhado e os edifícios vizinhos. Tapa-se com rede mosquiteira inoxidável de malha com cerca de 1,2 por 1,5 mm. O vento que passa no topo aspira o ar que entra por uma abertura na parede da cabine, fá-lo descer pelo buraco e sair pelo tubo. Manter a cabine escura e o buraco aberto: as moscas que nascem na fossa vão para a luz do tubo e morrem contra a rede.

Ou com descarga manual. Onde as pessoas se lavam com água, uma bacia com um pequeno fecho hídrico, limpa com 2 a 3 litros despejados à mão, trava moscas e cheiros.

Águas cinzentas. A água de lavagens pode ir para um poço absorvente tapado, com 1,5 a 4 m de fundo, cheio de pedra grossa e situado como a latrina. Passá-la antes por um pequeno separador de gorduras, escumado e limpo com frequência, senão a gordura entope o poço. Não funciona em argila.

Segurança. As paredes de uma fossa podem desabar, sobre quem escava ou por baixo da laje: nunca trabalhar numa fossa sem escoramento, afastar as crianças e vedar ou tapar o buraco até a laje estar colocada. O ar de uma fossa, de uma fossa séptica, de um esgoto ou de uma caixa de visita pode ter falta de oxigénio ou conter sulfureto de hidrogénio, que faz perder os sentidos em uma ou duas respirações. Nunca descer nem debruçar-se, e nunca entrar para socorrer alguém que caiu: chamar o socorro. Esvaziar uma fossa cheia é trabalho para uma equipa formada. Pôr água e sabão junto de cada latrina e lavar as mãos depois de cada utilização. Germes e nitratos viajam pelo solo: nunca encurtar as distâncias a poços e águas subterrâneas.

História e evolução

Uma antiga valeta de rua em tijolo cozido, com algumas lajes de cobertura levantadas e um pequeno poço onde chega o escoamento de uma casa Em Mohenjo-daro, os escoamentos das casas iam dar a valetas de tijolo cobertas ao longo das ruas.

Nas cidades do Indo, Mohenjo-daro e Harappa, por volta de 2500 a.C., a água dos banhos e das latrinas passava por tubos de barro cozido para valetas cobertas de tijolo cozido sob as ruas, com aberturas para limpeza.

A Cloaca Máxima de Roma nasceu no século VI a.C. como um canal a céu aberto que drenava o Fórum para o Tibre, e foi abobadada mais tarde, provavelmente no século II a.C.; a data é discutida.

Em Londres, o «Grande Fedor» do Tamisa, no verão de 1858, obrigou a agir. De 1859 a 1875, Joseph Bazalgette construiu coletores com 318 milhões de tijolos, que levavam os esgotos para descargas a jusante da cidade. O naufrágio do Princess Alice junto a essas descargas em 1878, que fez entre 600 e 700 mortos segundo as estimativas, empurrou Londres para o tratamento.

O tratamento chegou por etapas: Jean-Louis Mouras patenteou em França uma primeira fossa séptica em 1881, Salford aspergia leitos percoladores em 1893 e, em 1914, Edward Ardern e William Lockett apresentaram as lamas ativadas em Manchester. No início dos anos 1980, engenheiros do Zimbabué tinham desenvolvido a latrina VIP.


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